28.3.10

DOS NUEVAS VERSIONES DE JG EN PORTUGUES POR LEONARDO DE MAGALHAENS




Reversion (Anome Livros/ 2010)

I

(un susurro en la mansíon del silencio)

(um sussurro na mansão do silêncio)




guarnecer um segredo. guardá-lo e resguardá-lo. mantê-lo

como um sussurro na mansão do silêncio.



beber ali onde resiste o não dito, o impronunciável.

resguardar também o equívoco como possibilidade.




esse espaço nos interpela desde o que se retira.

está ali e não. é a pergunta. talvez a poesia mesma.




esse resto de mistério.




quando isso que se retira nos dá um nome.

isso mesmo que se vai nos funda. Nos diz.




ao partir.



Un susurro en la mansión del silencio /Javier Galarza
trad. Leonardo de Magalhaens

http://leoleituraescrita.blogspot.com/


II

Reversion (Anome Livros, BH, 2010)


La Guardía en Elsinor

A Guarda em Elsinor




Who art thou usurpst this time of night?

(Quem és tu que usurpas este tempo noturno?)

W Shakespeare, Hamlet, Ato I, cena I, linha 44



redobraremos a guarda na explanada?

devemos redobrar

a guarda do castelo

agora que a sombra de um espectro

percorre estes lugares?

esta é uma hora uncerta e a tragédia

poderia cingir-se

sobre o nossor reino.

daremos crédito ao que os nossos olhos veem?

fale. surgido.

(pai)

que tua palavra ilumine a trama e os segredos.

vamos. as perguntas nos agoniam no altiplano.

a qual obscuro desígnio obedece tua presença?

somos peões de um jogo cujas regras desconhecemos

e nosso reino é todo o mundo.

fale com tua boca de sepulcros

com tua fúria insepulta

porque nosso amigo está triste e somente tu tens as

respostas

o que terá profanado teu descanso?

por que este destino de vigias na noite?

ser vazas de luz na substância ferida dos sonhos?

qual infâmia te impede de morrer, talvez dormir?

será a matéria dos sonhos

a sombra eterna de uma dúvida?

fale agora se o resto é silêncio.




o céu nunca é tão escuro quando antes da aurora

e nossa filosofia não poderia sonhar com isto.

velamos porque esta noite é longa

e tem a fragilidade das promessas.

vamos. fale.

nos perdemos sem palavras.




La Guardía en Elsinor / J Galarza


trad. Leonardo de Magalhaens

http://leoleituraescrita.blogspot.com/

19.3.10

TEXTOS JG EN INGLES EN VERSION DE SILVIA CAMEROTTO


*

débiles pájaros cantan la vida tras los vidrios.

hacen morada en la llovizna. son certeza sus movimientos confusos en la tarde, aún si la tarde toda es incertidumbre.

 life is sung by fragile birds behind the window panes.

 in the drizzle they dwell. in the afternoon,  their unstable movements signify certainty, even if the afternoon all  is uncertainty.

*

un movimiento de pájaros en la lluvia me transporta.

I’m carried away by the rythm of birds in the rain.

*

la belleza de las cosas que no se saben a si mismas. un silencio sin

explicaciones.

the beauty of  things unaware of themselves. a silence that cannot be explained

*

pequeñas magias: suelta de pájaros en la lluvia de la noche.

minute spells: birds release in the overnight rain.

*

1.

hablamos para entender el cuerpo

única certeza palpable.

we speak to understand our body

the only tangible certainty.

1.(bis)

hablamos por perder el cuerpo

única certeza palpable.

we speak to lose our body

the only tangible certainty.

2.

aún hablaríamos si supiéramos acariciarnos?

would we still speak if we knew how to caress each other?

*

se crea o se ama desde la muerte contra la muerte

para afirmarse en la belleza de cada tibieza posible

mientras nos dure esta sangre.

we create or love from death —against death—

to hold on to the beauty of eventual tenderness

for as long as our blood lasts.

 

*

resistir

con la fuerza animal de nuestros dones.

to resist

with the animal strength of our gifts.

*

la lluvia y su voluntad de continuar.

the rain and her will to go on.

*

un grito quiebra el silencio de la casa que intentas habitar.

a cry breaks the silence of the house you want to dwell in.

*

desde aquí resistimos y peleamos

por todos los cuerpos arrebatados al amor.

this is the place from where we resist and fight

for all the bodies who have been deprived from love.

*

qué motivo tendrá el secreto de la tarde?

what is the reason the aftenoon secret has?

*

el extraño fervor con que alguien borra un dibujo en una ventana

empañada.

the mysterious  passion with which someone erases a drawing from a tarnished

window.

*

como las mareas, solo ciclos bajo las estrellas, de crecidas y silencios,

flujos y reflujos.

like tides, just cycles under the stars, floods and silence,

ebb and flow.

*

perpetramos contra el sumo poder del silencio

por esta necesidad de hablar los cuerpos acechados.

we violate the utmost power of silence

because of  the need to speak about threatened bodies.

*

qué puede hablar un cuerpo sino violencia y desnudez?

qué lo constituye sino fluidos de dulzura de río alguno y cataclismos?

what can a body speak of but violence and nudity?

what is it made of but of the sweet humors of any river and calamities?

*

si el mundo ensaya su final donde la lluvia es sólo eso

y no guardan oro los arco iris y nuestros movimientos

se desacostumbraron a mares y montañas

y si ya nada nos convoca en torno al fuego

son necesarios abrazos inmensos

para desandar a la muerte-

if the world rehearses its end, in which rainfall is just rainfall

and rainbows do not  hide gold and our movements

have forgotten  the seas  and the mountains

and nothing summons us around the fire

huge embraces are needed

to undo death

 

versión © silvia camerotto

12.3.10

TEXTOS DE JG EN PORTUGUES TRADUCIDOS POR LEONARDO DE MAGALHAENS



foto: Sally Mann



in: Reversion / Anome Livros / Tropofonia Editorial / 2010)




LOS CUERPOS Os corpos

(trad. LdeM)




(esta cartografia desesperada que somos, o relevo destes
mapas trêmulos, estes pulsares, esta precipitação de
verdades, estes silêncios que contêm e nos dizem)

1.
falamos para entender o corpo
única certeza palpável

1.(bis)
falamos por perder o corpo
única certeza palpável

2.
ainda falaríamos se soubéssemos nos acariciar?

3.
perpetramos contra o sumo poder do silêncio
por esta necessidade de falar os corpos espreitados

4.
corpo. enigma a decifrar sob uma ameaça
permanente: a aniquilação

5.
o que pode falar um corpo senão de violência e nudez?
o que o constitui senão fluidos de doçura de algum rio e
cataclismas?

6.
há, é dizer HÁ, um milagre em movimento, a promessa de
um voo
que haverá de claudicar e um destino de sombras?

7.
e o que é o coração senão assento de magias e pesadelos
onde todas as certezas se desvanecem?

8.
um corpo de pudores e frios e ternuras e incubações

9.
que dirá o corpo senão sua autoconvocação à mutação
das peles?

10.
um desenho gestual, uma festa de caretas

11.
se crê ou se ama desde a morte contra a morte
para afirmar-se na beleza de cada indiferença possível
enquanto nos durar este sangue

12.
palavra que treme e se desnuda para descobrir-se

13.
adjetivar quando somente o ato de olhar já é um
prejuízo

14.
desde aqui resistimos e lutamos
por todos os corpos arrebatados ao amor

15.
entre pressas e ternuras
os corpos preparam seu silêncio

16.
oh cubra-me

nome meu nome apaga este silêncio

já cresçam minhas mãos ao vazio dos dias

rumo a onde a chuva jamais saberá de mim




(in: Reversion / Anome Livros / Tropofonia Editorial / 2010)





trad. Leonardo de Magalhaens
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